Coronavírus é o pronúncio de uma nova ordem mundial, diz imprensa da França

China começa ajudar parte do mundo para apagar sua imagem sombria.

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A pandemia de coronavírus provocará mudanças profundas na comunidade internacional. Em seus editoriais, as revistas semanais francesas mostram que o novo vírus está transformando planos de governo, princípios e ideologias. A humanidade irá superar a calamidade. Mas o fechamento das fronteiras anunciado por centenas de países, principalmente na União Europeia, que fazia da livre circulação de pessoas um dos princípios inalienáveis de sua organização, já mandou para os ares o dogma das fronteiras abertas, assinala a revista conservadora Le Point.

As medidas de apoio econômico anunciadas pelos governos europeus e dos Estados Unidos nas últimas semanas enterraram as regras de controle orçamentário para conter os déficits e as dívidas públicas em patamares aceitáveis. O presidente Emmanuel Macron anunciou que mobilizará bilhões de euros para impedir a falência de qualquer empresa francesa. Seu ministro da Economia cogita nacionalizar os florões da indústria do país se vierem a ser ameaçados de quebra pela paralisação prolongada da atividade comercial.

Ao mesmo tempo, é a China que sai em socorro da Itália e da França para fornecer máscaras de proteção aos agentes de saúde, depois de os vizinhos europeus guardarem os poucos estoques de que dispõem para suas próprias populações.

O presidente norte-americano Donald Trump tentou comprar o laboratório alemão que desenvolve uma vacina promissora contra o coronavírus. Ele queria garantir a exclusividade do tratamento para seus compatriotas. O chefe da Casa Branca está disposto a tudo para evitar que as consequências da epidemia nos EUA causem sua derrota na eleição presidencial de novembro.

Por trás dessa batalha sanitária, é outra guerra que se desenrola: a recuperação política da narrativa da epidemia. A China começa a ajudar o resto do mundo para tentar apagar a imagem de que seu regime autoritário impediu que os médicos chineses dissessem a verdade sobre o vírus.

Nos Estados Unidos e na Europa, os que se opõem ao livre-comércio, sejam de esquerda ou de direita, apontam a globalização como parcialmente responsável pela catástrofe sanitária. Nas páginas da Le Point, o editorialista Luc de Barochez questiona se o coronavírus vai enterrar sete décadas de globalização liberal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), o G20 e o G7 falharam. Para a Le Point, parece indispensável refundar a cooperação internacional. As crises de 2001 (terrorismo nos EUA) e 2008 (subprimes) alimentaram a polarização, incitaram à desconfiança sobre os benefícios da democracia. Essas crises semearam o caminho para a ausência de uma resposta conjunta aos desastres sanitários, às catástrofes naturais, aos riscos industriais e aos atentados terroristas que se alastraram pelo mundo.

As imagens de hospitais saturados, escolas e restaurantes fechados e populações confinadas atestam a grande vulnerabilidade das sociedades pós-modernas. A lição instilada pelo Covid-19 é que o comportamento de cada um tem impacto na humanidade e que a solidariedade é a única forma de vencer a pandemia. No fundo, esse ensinamento é reconfortante, conclui a revista Le Point.

*RfI

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