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Irã pede informações ao Brasil sobre navios parados em Paranaguá

A embaixada do Irã no Brasil representada pelo embaixador Seyed Ali Sagheyan solicitou informações ao Ministério das Relações Exteriores para saber quais medidas estão sendo tomadas pelo governo brasileiro que ajudem a resolver o impasse que envolve dois navios iranianos atracados desde o início de junho no Porto de Paranaguá, no Paraná.

A Petrobras se recusa a abastecer as embarcações, uma delas já carregada com milho, alegando que poderia sofrer sanções dos Estados Unidos, em razão ao embargo econômico existente sobre o Irã. Os navios trouxeram ureia importada para o Brasil. O produto descarregado no mês passado faz parte da lista de restrições impostas por Washington ao comércio com Teerã.

A questão foi discutida com o secretário de negociações bilaterais no Oriente Médio, Europa e África, do Ministério das Relações Exteriores, Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega, e a reunião aconteceu no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Ao jornal O Globo desta terça-feira (23), uma fonte que acompanha a questão revelou que o diplomata iraniano comentou que o Teerã tem várias dúvidas a respeito de como o governo brasileiro se movimenta para resolver a questão. Isso seria bastante incomum nas relações comerciais bilaterais. Seyed Ali Saghaeyan deixou o Itamaraty sem uma resposta.

A empresa brasileira Eleva é responsável por fretar os navios, que deveriam retornar ao Irã com 100 mil toneladas de milho, depois de deixar no Brasil a ureia importada. Esse timo de operação se chama “comércio compensado”, por não envolver pagamento iraniano. A Eleva argumenta que as embarcações entraram legalmente no Brasil, e que comprou o produto de firmas que não estão na lista de entidades sancionadas pelo governo dos Estados Unidos.

A Petrobras recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), depois que a Eleva obteve liminar na Justiça do Paraná obrigando a estatal a fornecer o combustível. Na semana passada, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deu parecer favorável à Petrobrás na disputa, dizendo que a Eleva teria alternativas para abastecer os navios.

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