Polícia prende 14 pessoas por fraude de R$ 125 milhões no Paraná

Centenas de viaturas da Polícia e do Corpo de Bombeiros estão paradas em oficinas do Paraná, sem conserto, porque a empresa JMK, responsável pela manutenção de veículos oficiais do Paraná, recebia o dinheiro do Estado e não repassava às oficinas. A informação foi divulgada à imprensa na manhã desta terça-feira (28) pelo delegado Guilherme Luiz Dias, da Divisão de Combate à Corrupção.

“São centenas de viaturas paradas e sem conserto porque as oficinas condicionam a liberação diante do imediato pagamento dos valores em atraso. O pagamento deveria ser repassado pela JMK, que alegava não ter o dinheiro porque o Governo do Paraná não teria pago. Só que o Governo está com os pagamentos em dia. A empresa ficava com o dinheiro”, afirmou o delegado.

Buscas em apartamento de luxo no Ecoville, em Curitiba – Foto: Divulgação / PCPR

A fraude foi descoberta pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) que deflagrou nesta terça-feira (28) a operação “Peça Chave”, que investiga diversos crimes praticados por pessoas ligadas à empresa JMK. A empresa é hoje responsável pela manutenção das 17 mil viaturas do estado e, segundo a polícia, a atividade criminosa estaria ocorrendo desde o início da execução do contrato.

PREJUÍZO DE R$ 125 MILHÕES

“Analisamos dezenas de ordens de serviço e constatamos que todas eram fraudadas seguindo um modelo-padrão. Numa outra linha, vistoriamos os veículos destas ordens de serviço e encontramos peças de qualidade inferior em relação ao que foi apresentado nas notas com material genuíno”, afirmou o delegado Dias.

A polícia não revelou os nomes dos presos. Há a informação que uma família inteira foi presa nesta manhã num apartamento no Ecoville, no mesmo prédio em que vive o ex-governador Beto Richa. O delegado-chefe da Divisão de Combate à Corrupção, Alan Flore disse que não há indícios de envolvimento de Richa nesta investigação e que a localização foi coincidência. “Não há indício da participação do ex-governador. Temos 14 pessoas presas e há uma que já e considerada foragida. Não descartamos novas prisões”, afirmou Flore.

Foto: Banda B

O delegado-chefe informou ainda que o Governo está montando uma operação emergencial para que a manutenção das 17 mil viaturas do Paraná não fique paralisada.

“Este contrato estava vigente até hoje e a Procuradoria do Governo certamente está analisando o caso juridicamente. O Governo já está com um plano emergencial em ação para evitar prejuízos à população”, concluiu o delegado.

Mais de 100 policiais civis participaram da operação, com o objetivo de cumprir 15 mandados de prisão temporária e 29 mandados de busca e apreensão, em Curitiba.

Também foram cumpridas ordens judiciais para bloqueio de contas bancárias e apreensão de 24 veículos de luxo utilizados pela organização criminosa. Os mandados foram expedidos pela 8ª Vara Criminal de Curitiba.

Polícia prepara documentos apreendidos na operação Peça Chave – Foto: Divulgação / PCPR

SUPERFATURAMENTO

A investigação da PCPR aponta que os responsáveis pela JMK teriam estabelecido uma sistemática que envolvia a falsificação e adulteração de orçamentos de oficinas mecânicas, de modo a elevar o valor do serviço prestado, provocando superfaturamentos que chegam à 2450%. “A média do superfaturamento era de 577%, mas há casos de até 2.450% de sobrepreço”, disse o delegado Guilherme.

Segundo ele, a JMK tem contrato com 52 órgãos públicos, entre eles a receita Federal, Correios, Ministério Público. Porém, não é possível revelar se a fraude se repetia nestes outros órgãos.

“Há detalhes que não podemos revelar, até porque precisamos manter sigilo”, disse Dias, sem dar maiores informações.

O delegado ainda afirmou que a polícia investiga a participação de algumas oficinas no esquema de fraude.

OUTRO LADO

A empresa JMK se pronunciou sobre a operação através de nota.

“O sistema implantado pela JMK no governo do Paraná conta com grande transparência e economia, o que contraria muitos interesses que estavam estabelecidos antes da assinatura do contrato.

Antes da JMK, a manutenção da frota estava centralizada em apenas 37 oficinas. Hoje são 1088 em todo o estado.

No ano anterior a entrada da JMK (2013), o Paraná gastou R$ 71 milhões na manutenção da frota. No ano passado, o valor ficou em R$ 43 milhões. Ao longo do contrato foram economizados mais de R$ 60 milhões dos cofres públicos.

Antes da JMK, a ordem de serviço era iniciada com apenas um orçamento. Hoje são três que entram no sistema para escolha dos gestores. Todo processo é acompanhado online pelo TCE, que tem a senha do sistema.

Todas estas informações estão fartamente documentadas e serão levadas à Justiça, comprovando que o trabalho da JMK sempre foi realizado totalmente dentro da lei.

JMK FROTAS


Fonte: BANDA B

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